28/05/11

O sonho de Ícaro

Icarus e Daedalus por Charles Paul Landon – 1799  
Voar é um dos sonhos mais antigos que abrigam a interioridade humana. Aprendemos na mitologia grega, aquela que é provavelmente a história de voo mais conhecida da Antiguidade, que Dédalo, pai de Ícaro, construiu asas com penas dos pássaros, colando-as com cera, para que seu filho voasse a fim de fugir da prisão localizada na ilha de Creta. Segundo a lenda, Ícaro não deveria voar nem muito alto, perto do sol, cujo calor derreteria a cera e nem muito baixo, perto do mar, pois a alta umidade tornaria as asas pesadas demais. O filho de Dédalo, embebecido pela sensação de estar voando, ia cada vez mais se aproximando do sol, o fato é que a cera derreteu e Ícaro perdeu as assas, precipitando no Mar Egeu, morrendo afogado.

A lenda exemplifica muito bem as inúmeras tentativas do ser humano ao longo da história de rebelar-se contra o aprisionamento imposto a nós pela Lei da gravidade. E também reafirma o intrínseco desejo humano de alcançar os céus, à semelhança da história biblica da Torre de Babel. A bem da verdade, todos nós, guardadas as devidas proporções, carregamos um pouco de Ícaro dentro de nós. Sonhamos com a liberdade, almejamos ultrapassar os nossos limites internos e externos, lutamos para fugir das nossas prisões.

Valmir Ferreira